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Açores #4 (24 de Outubro)

O último dia São Miguel foi o dia em que vi as paisagens que tinha na cabeça quando se falava dos Açores, os campos verdejantes, as lagoas e os picos verdes na paisagem que se estende muito para lá da espuma branca do rebentar das ondas e do azul vivo do mar.

Começámos o dia a caminho do lado oeste da ilha com o objectivo de visitar todas as lagoas que conseguíssemos. Parámos logo no primeiro miradouro que se nos atravessou no caminho, o Merendário do Charquinho das Moças com uma vista muito bonita para o lado sul e este. Os picos verdes que sobressaem na paisagem, antigas pequenas chaminés vulcânicas, dão uma vida diferente à fotografia desta paisagem tão açoriana.


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Demos início à rota das lagoas com a Lagoa das Empadadas. Do lado esquerdo da estrada por onde seguíamos vimos uma placa a indicar a lagoa, metemo-nos pelo caminho com o nosso super Micra sempre a subir aquela ladeira de inclinação considerável e com espaço para passar apenas um carro e demos por fim com a lagoa das Empadadas. A Lagoa tem uma estrada de terra batida a toda a volta para se circular à volta da mesma e apreciar as vistas. A lagoa fica no meio de uma antiga cratera vulcânica que com o passar do tempo foi sendo envolvida por uma densa floresta. Ali não se ouve nada além do silêncio, é óptimo para um momento de introspecção, sentar ali à beira da lagoa, fechar os olhos e agradecer as coisas boas que nos acontecem.

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A paragem seguinte foi na Lagoa do Canário, ainda na Serra Devassa. O acesso é esquisito, tivemos de descer a pé por um caminho de terra batida, estreito e com pedras. À semelhança da lagoa que visitámos anteriormente, também a lagoa do Canário fica envolta numa densa vegetação (muitas criptomérias juntas) que eleva a paisagem a outro nível. Talvez pela altitude a que nos encontrávamos (800m), sentimos com intensidade o vento gelado na cara. A estrada de acesso ao Miradouro do Canário estava encerrada aos carros, e como não sabíamos se a distância a pé era viável, resolvemos não arriscar, mas diz quem sabe que é dos Miradouros mais bonitos da ilha.

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É do conhecimento geral a lenda da Lagoa das Sete Cidades, mas por que não recordar tão bela lenda?

Conta a lenda que há muitos, muitos anos, no lugar onde hoje fica a freguesia das Sete Cidades, existia um grande reino onde vivia uma jovem princesa de olhos azuis, muito bela e bondosa.  A princesa gostava muito da vida no campo e uma das suas actividades favoritas era passear pelos campos, sentindo o cheiro das flores, molhando os pés nas ribeiras ou apenas apreciando a beleza dos montes e vales que rodeavam o reino. Um dia, durante um dos seus longos passeios, a jovem princesa passou por um prado onde pastava um rebanho. Ali perto, tomando conta do seu rebanho, estava um simpático pastor de olhos verdes, com quem a princesa decidiu conversar. A princesa e o pastor falaram muito. Falaram dos animais, das flores, do tempo e de todas as coisas simples e belas que os rodeavam. Depois deste dia, os dois passaram a encontrar-se todos os dias para conversar. Os dias e as semanas foram passando, e a princesa e o pastor encontravam-se todos os dias no mesmo lugar onde se tinham conhecido. Com o passar do tempo foram-se apaixonando e acabaram por trocar juras de amor eterno. Mas a notícia dos encontros da princesa com o pastor acabaram por chegar aos ouvidos do rei, que não ficou nada satisfeito. Queria ver a sua filha casada com um príncipe de um dos reinos vizinhos e, por isso, proibiu-a de voltar a ver o pastor. Por respeito ao pai, a princesa aceitou esta cruel decisão, mas pediu-lhe que a deixasse ir mais uma vez ao encontro do pastor para se poder despedir dele. Sensibilizado, o rei disse-lhe que sim. A princesa e o pastor encontraram-se pela última vez nos verdes campos onde se conheceram… Mais uma vez, passaram o tempo a falar longamente sobre o seu amor e igualmente sobre a sua separação. Enquanto conversavam choravam também. E choravam tanto que as lágrimas dos olhos azuis da princesa correram pelo vale e formaram a lagoa azul; já as lágrimas dos olhos verdes do pastor caíram com tanta intensidade que formaram a lagoa de água verde. Por fim, os dois amados despediram-se e as lágrimas choradas pela sua separação formaram duas lagoas que ficaram para sempre juntas – tal como os dois enamorados, nunca se poderiam unir, mas também nunca se iriam separar. Uma é a Lagoa Azul, a outra é a Lagoa Verde: são chamadas de “Lagoas das Sete Cidades”. Nos dias de sol mais brilhantes, as cores das duas lagoas são tão intensas que quase se consegue imaginar o olhar apaixonado do pastor dirigido para a sua princesa.

Fonte: Texto Editora

Foi do Miradouro da Vista do Rei que vi, pela primeira vez ao vivo e a cores, a famosa lagoa das Sete Cidades, uma das Sete Maravilhas Naturais de Portugal, a maior e das mais bonitas da ilha de São Miguel. Acho que quem vai a São Miguel e não pára no Miradouro da Vista do Rei é a mesma coisa que não ir, é um ícone da ilha. Este miradouro tomou este nome depois da visita de D. Carlos I que achou que realmente aquela vista era digna da realeza. A diferença de cores das duas partes da Lagoa é mais perceptível quando o céu está limpo, coisa rara por ali, ainda assim é fácil perceber qual a lagoa verde e qual a lagoa azul.

Junto ao miradouro encontram-se os “restos” do Monte Palace, um hotel abandonado que esteve aberto apenas durante ano e meio no final dos anos 80 e que foi o primeiro hotel de 5 estrelas dos Açores que acabou por cair em desgraça devido ao nevoeiro constante que tapava as vistas maravilhosas que dali se vêem. O hotel está totalmente vandalizado e é possível entrar e vaguear pelos perigosos escombros pois não tem qualquer vedação.

O nível de água na Lagoa é constante durante todo o ano uma vez que tem um túnel artificial que escoa água para o mar. Para os mais aventureiros há desportos náuticos que se podem aqui praticar, desde canoagem a SUP (stand up paddle).

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Ainda tivemos oportunidade de ver a Lagoa das Sete Cidades de outro dos cinco miradouros, o Miradouro do Cerrado das Freiras.

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Do Miradouro da Lagoa de Santiago espreitamos lá em baixo a Lagoa com o mesmo nome, uma imagem pura e verdejante de uma cratera de vulcão que assumiu uma forma de lagoa sem acessos visíveis à zona da água.

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Demos uma volta, de carro, à beira da Lagoa Azul, metemo-nos lá por caminhos de terra batida e o nosso super Micra sempre a colaborar até chegarmos a um sítio onde havia uma grande poça de água que, não sabendo a profundidade, decidimos não arriscar e voltámos para trás.

Acabámos por ir a um café junto à igreja da vila beber um café e comer um pastel de maracujá e outro de inhame, para provar as iguarias locais e devo dizer que não me cairam nada mal.

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No caminho para os Mosteiros, além de absorvermos sempre a paisagem que nos ia sendo oferecida, voltámos a parar nos Miradouros, desta vez foi o Miradouro do Escalvado e daí avistámos, além das vacas, a Ponta da Ferraria e os ilhéus dos Mosteiros.

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Na Praia dos Mosteiros existem dois ilhéus, a Freira e o Frade, duas pedras gigantes que saem do mar como quem quer abraçar a imensidão do céu. As formações vulcânicas no mar dão lugar a piscinas naturais de águas translúcidas, conhecidas por Poço da Pedra, onde apetece pôr o pé mesmo que esteja um vento fresco de arrancar cabelos.

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Era o último dia em São Miguel e ainda não tínhamos comido polvo à micaelense, soubémos que ali nos Mosteiros havia um bom restaurante para tal, o Gázcidla, no entanto estava fechado para férias e foi preciso procurar alternativa. Acabámos por ir ao Brisa do Mar (Rua das Pensões), ali nos Mosteiros, um restaurante muito simples, gente simples, comida deliciosa e que valeu tanto a pena que quase fiquei contente por o primeiro estar fechado.

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No extremo oeste da ilha visitámos a Ferraria onde existem, além de uma estância termal (com restaurante e spa), mais um conjunto de piscinas naturais cuja água se mantém sempre a uma temperatura muito agradável devido à nascente termal situada mesmo no mar que faz variar a temperatura entre os 18ºC e os 28ºC.

O Farol da Ferraria, construído em 1901, o segundo mais antigo da ilha, foi mais um dos nossos pontos de paragem, no entanto não me pareceu que se pudesse visitar.

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A Ilha Sabrina podia ter sido a 10ª ilha açoreana, foi fruto de uma erupção vulcânica em 1811 que ocorreu ao largo da Ponta da Ferraria. Logo o capitão James Tillard, comandante do navio de guerra britânico HMS Sabrina, hasteou a bandeira britânica e reclamou como território inglês, no entanto a ilha acabou por desaparecer ao longo desse ano devido à erosão marítima e a questão territorial ficou assim resolvida.

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No regresso a Ponta Delgada ainda parámos no Miradouro do Pico Vermelho, na Bretanha, mas a vista não é das melhores, quase nem se vê o dito moinho!
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Remédios, Santa Bárbara, Santo António e Capelas foram algumas das localidades pelas quais passámos. No regresso mudámos o rumo e passámos na Praia de Santa Bárbara para beber uma Especial no Tuká-Tulá, um bar de praia muito simpático na praia dos surfistas. Nessa praia descobrimos por acaso as Casamatas, umas construções do tempo da Segunda Guerra Mundial cujo objectivo era esconder artilharia que dispararia em caso de ameaça. Depois de terem passado muito tempo debaixo da areia foram recuperadas e agora até é possível passar pelos túneis que as ligam (embora o acesso estivesse vedado, talvez haja alguém que coordena essas visitas).

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De volta a Ponta Delgada ainda tentámos visitar a Fábrica de Tabaco Micaelense mas talvez por ser sábado não encontrámos nenhuma porta aberta. Acabámos por dar um passeio no Jardim António Borges, junto à Gruta do Carvão, um parque público construído ao estilo dos jardins românticos do século XIX, com lagos, grutas e muitas e diferenciadas espécies herbáceas.

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Nesta última noite na ilha de São Miguel não podíamos deixar de experimentar mais um restaurante, que nós gostamos de conhecer paisagens, vulcões, lagoas, monumentos mas também gostamos de provar a gastronomia local e coleccionar restaurantes. A escolha recaiu n’O Corisco mesmo no centro da cidade e só posso dizer que a comida é boa demais para ser verdade, come-se tão bem em São Miguel!

Foram quatro dias de boa vida, de muita informação absorvida, de muitas fotografias tiradas, de mais uma ilha no coração, mas nada dura para sempre. Adeus São Miguel, até à próxima!

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