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Açores #2 (22 de Outubro)

A “porta” do arquipélago está escancarada e o mundo urge por conhecer os Açores. O arquipélago já foi alvo de artigos e reportagens um pouco por todo o mundo. São paisagens de cortar a respiração, uma gastronomia suprema e um sotaque delicioso que atraem gente de todo o mundo. Ao segundo dia, o sol foi-se mostrando reticente e as nuvens dominaram o céu todo o dia. Ainda assim, a beleza e tranquilidade de São Miguel não deixam o visitante indiferente.

A viagem deste segundo dia começou em direcção a Este. Continuámos a marcar todos os Miradouros como vistos e o primeiro deste dia foi o Miradouro do Pisão com vista para a praia da Caloura, uma praia de piscinas naturais cujo acesso ao mar se faz através de escadas.

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Continuámos estrada fora e descobrimos imensos parques de merendas (ou merendários, como lhes chamam na ilha), todos muito bem cuidados e limpos. São sítios impecáveis para se passar uma tarde entre amigos e família com o bónus de normalmente estarem junto a miradouros com aquelas vistas espectaculares que só se tem numa ilha.

Seguindo caminho pela estrada regional, passámos por Água d’Alto e chegámos a Vila Franca do Campo de onde se avista o famoso Ilhéu de Vila Franca do Campo, um lugar mágico e isolado, apenas a 1km da costa, com praia, spots de mergulho e de onde se fazem os famosos saltos Red Bull Cliff Diving. Em Vila Franca existem barcos que levam os visitantes por 3€ para o Ilhéu, é uma viagem rápida e tranquila, que não tivemos oportunidade de fazer desta vez. De qualquer forma, também já não estamos em tempo de praia, seria uma visita apenas para fotografar.

Ao longo desta viagem reparei que qualquer vilarejo tem sempre uma imponente igreja com aquela pedra vulcânica e Vila Franca do  Campo não foi excepção. Aproveitámos para beber um café junto ao porto e provar as Queijadas de Vila Franca no Jaime, mesmo com vista para o estaleiro dos barcos.

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Dali subimos até ao Miradouro da Senhora da Paz que tem uma vista esplêndida para Vila Franca e para o Ilhéu. O Santuário da Senhora da Paz data do século XVIII e foi erigido pela população em honra à Virgem por um pastor ter encontrado naquele local uma imagem da mesma. Durante os tempos dos ataques de piratas era a este templo que as pessoas vinham pedir protecção e, diz-se, que a Senhora da Paz a concedia. Este é um dos muitos Miradouros da ilha mas será um dos que tem uma das vistas mais fantásticas.

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Seguimos para a Ribeira Seca e Ponta da Garça. Ainda parámos no Miradouro da Marcelina mas não havia grande coisa para ver ali, nem ao farol pudemos ir, a estrada de acesso estava fechada.

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O nosso destino estava traçado, íamos ver as caldeiras das Furnas, no entanto mesmo ali já a caminho da Lagoa das Furnas vimos uma placa para o Miradouro do Lombo dos Milhos e não podíamos passar por um miradouro sem parar, então seguimos a placa, pensávamos que era logo ali a seguir à curva, mas ainda demorámos um bocadinho a chegar. Pelo caminho vimos campos verdejantes cheios de vacas a pastar na tranquilidade dos dias. A vista do Miradouro é de uma tranquilidade inigualável, a localidade das Furnas lá em baixo com as fumarolas sempre em actividade, as vacas ali ao lado, uma brisa fresca na cara e uma sensação de paz.

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Depois de absorver aquela vista voltámos ao caminho para ir visitar as tão famosas fumarolas das Furnas, onde se faz o cozido mais famoso de todo o país. Para entrar nas caldeiras, mesmo ali à beira da Lagoa das Furnas, uma das maiores da ilha, pagámos 50 cêntimos por pessoa, mais 20 cêntimos por cada 15 minutos de estacionamento do carro. Observa-se em volta uma densa vegetação com árvores centenárias. Do lado oposto às caldeiras avistamos a Ermida de Nossa Senhora das Vitórias, uma construção enigmática, que não permite visitas ao seu interior, apenas ao jardim.

As Furnas são, sem dúvida, um dos locais mais emblemáticos da ilha, por onde passa todo e qualquer turista que aqui aterre. A actividade vulcânica na ilha é constante mas só nos lembramos que há ainda três vulcões em actividade (um deles é precisamente o Vulcão das Furnas) quando chegamos às Furnas e damos de caras com as fumarolas e as nascentes termais. As fumarolas são a maior manifestação de actividade vulcânica da ilha e é frequente surgirem fumarolas no quintal de quem lá vive. Os vapores e a água em ebulição brotam das entranhas da terra, libertando assim alguma pressão controlando a actividade sísmica. O cheiro a enxofre é uma constante e é ali, naquele parque de água em ebulição, que se faz o famoso cozido das Furnas. É naquele lugar que estão fechados em buracos na terra os tachos com o cozido a ser confeccionado, em alguns casos e dependendo da dimensão, desde a 1 da manhã para estarem prontos à hora de almoço em restaurantes da localidade. Cada buraco onde está uma panela de cozido tem a placa do restaurante que o está a confeccionar e o número de telefone, para que as pessoas liguem a reservar o cozido.

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Ainda antes de almoço não resistimos e fomos à Poça da Dona Beija na localidade das Furnas, pagámos 3€ de entrada cada um (mais o aluguer da toalha que não levámos) e ficámos por lá algum tempo a saborear o caldo da água termal. Como tínhamos o almoço marcado não ficámos lá o dia todo, mas podíamos que o bilhete é diário. Poderíamos até ter voltado depois de almoço para as piscinas termais mas ainda havia tanta coisa para ver.

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Na vila das Furnas existem mais caldeiras em ebulição e pequenas fontes de onde saem águas minerais, algumas fontes têm água com gás, a que os açorianos chamam água azeda, fontes que mostram um rasto cor de laranja por onde a água passa, tal a quantidade de ferro que esta apresenta.

Olhei várias vezes em volta ali na localidade junto às caldeiras e só me ocorreu :”Tudo borbulha e fumega nesta terra.”

Os bolos lêvedos, óptimos para o lanche, são um doce tradicional das Furnas e consta que eram a base da alimentação dos primeiros habitantes da ilha. Os bolos lêvedos são feitos com farinha de trigo, açúcar, manteiga, fermento e leite. São uma espécie de pão doce que sabe muito bem quentinho e sem nada lá dentro, mas há quem prefira recheá-lo com doce. Ainda aproveitei e comprei rebuçados de ananás.

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Ali mesmo junto às caldeiras e às fontes naturais está um mural com uma pintura muito interessante da localização dos vários pontos de interesse do vale encantado das Furnas.

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O almoço estava marcado no Tony’s para provar o cozido acompanhado com inhame e batata doce, entre outras coisas.  O Tony’s é um restaurante com mais de 30 anos no centro da freguesia, mesmo ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Alegria e foi-me indicado por uma micaelense, pelo que tinha tudo para correr bem, e correu. Fiquei fã cozido e em particular do inhame que não é uma coisa que me apareça no prato todos os dias. O cozido é muito tenrinho e não sabe nada a enxofre. No caso do Tony’s, eles deixam o cozido dentro da terra durante 10 horas em panelas grandes no caso de ser para o almoço. Se for para o jantar vai em panelas mais pequenas (pois há menos procura) e demora entre 6 a 8 horas.

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Ainda na Vila das Furnas não podíamos deixar de visitar o Parque Terra Nostra, classificado como um dos mais belos jardins do mundo, possui entre outras espécies uma das maiores colecções de camélias do mundo. A entrada foram 6€ mas além de podermos visitar o parque sem horas contadas podíamos ainda usufruir da piscina de águas termais férreas, daí a sua cor alaranjada, e com uma temperatura média de 25ºC. Como já tínhamos estado na Poça da Dona Beija, desta vez não metemos o pé dentro de água. Passeámos pelos trilhos marcados no mapa que nos deram à entrada e passámos sensivelmente uma hora a ver as plantas com calma, a fotografar e a apreciar a natureza.

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Dali fomos para a Ribeira Quente, ver a praia e a vila. A areia é preta, claro. O caminho até lá chegar é muito bonito, uma estrada cheia de hortenses na berma e nas encostas dos montes. Não fomos na melhor época para ver as hortenses em flor mas dada a amostra tenho a certeza que aquele é dos caminhos mais bonitos por que já passei.

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Íamos com ela fisgada para ir à Gorreana mas vimos uma placa para o Miradouro do Salto do Cavalo e mesmo sem saber a que distância ficava dicidimos ir lá ver. Andámos, andámos mas valeu a pena. A vista sobre a Lagoa das Furnas e sobre a Povoação era sublime.

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Estando já ali, continuámos a estrada até Salga e viemos à beira mar pelas estradinhas até chegar à Gorreana onde claro, bebemos um chá e assistimos à explicação da origem e do processo do chá.

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A Gorreana é a mais antiga (e única nos dias que correm) plantação de chá da Europa. Tudo começou em 1883 como um negócio de família da matriarca Ermelinda Gago da Câmara. As plantas de chá são cultivadas em terrenos pertencentes à Gorreana, nas encostas das montanhas, longe da poluição e sem qualquer recurso a herbicidas, pesticidas, fungicidas, corantes ou conservantes, uma vez que as pestes desta planta não sobrevivem ao clima da ilha. As folhas são colhidas de Abril a Setembro e o chá resultante (chá preto ou verde) depende do tratamento das folhas após a sua colheita. A fábrica produz actualmente cerca de 33 toneladas de chá por ano e a sua grande maioria é exportada para Alemanha, EUA, Canadá, Áustria, França, Brasil, Angola, Japão e, claro, uma parte também tem como destino Portugal Continental.

De acordo com informação da Gorreana, o processo de fabrico do chá é, também ele, centenário:

Nós somos a única fábrica de chá da Europa e produzimos e comercializamos chá verde e chá preto desde 1883. Somos uma empresa familiar que utiliza o mesmo método ortodoxo utilizado pela primeira das cinco gerações afetas ao negócio. O nosso chá é de grande qualidade pois não utilizamos quaisquer químicos nas nossas plantações visto que as pragas normais/comuns da planta do chá não sobrevivem no nosso clima.

Igualmente na nossa fábrica e nas nossas plantações todo o processo é feito essencialmente à mão e mesmo as máquinas que utilizamos são também elas centenárias datando de 1840.

A colheita das folhas acontece quando a maioria dos ramos têm três folhas. Para além de cada uma das folhas ter uma idade diferente, estas também têm composições quimicas diferentes. Cada tipo de folha dará ao chá que produzirá um sabor e aroma diferentes. O diferentes processos de produção determinarão por seu turno os três tipos de chá produzidos na Gorrena: preto, verde e Oolong.

Para produzir chá preto as folhas são deixadas a murchar e enroladas causando o esmagamento parcial da folha. Mais tarde são expostas ao ar para dar continuidade ao processo lento e natural de oxidação, fermentação e secagem. Para produzir o chá verde as folhas são esterelizadas com vapor sendo depois enroladas e secas através do método Hysson por forma a produzir um chá encorpado rico en taninos e de cor esverdeado.

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Após uma breve passagem na Praia de Porto Formoso parámos na Praia dos Moinhos num bar mesmo à beira da praia para beber uma Cerveja Melo Abreu, produção da ilha. É uma praia virada a norte mas o facto de estar ali entre montes faz com que seja abrigada e tranquila.

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No caminho para Ponta Delgada vimos uma placa a indicar as caldeiras da Ribeira Grande e fizemos o desvio para visitar mais uma prova da actividade vulcânica da ilha, e também ali se faz o cozido.

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Nessa noite jantámos no Reserva Bar, um restaurante com um ambiente recatado, agradável, com boa música ambiente, situado num beco escuro que foi difícil de encontrar mas com muito boa comida, com boa qualidade e uma simpatia da parte dos empregados que até deu gosto. Não se deixem enganar pelo aspecto exterior fechado, é recatado, como disse, e o mais certo é estar aberto, com gente dentro e algumas garrafas de vinho abertas.

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