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O nascer do sol no Monte Bromo (25 de Outubro)

Acordar antes do nascer do sol é coisa que não acontece assim muito frequentemente. Como a expectativa para ver o nascer do sol era alta saltámos todos da cama como molas, como se tivéssemos dormido 12 horas seguidas, quando na verdade nem chegaram a 5 horas.

Saímos do hotel (acho que não atinge a categoria de hotel mas chamemos-lhe assim) num jipe acompanhados do guia e do motorista. Às 4 da manhã fazia um frio colossal (a julgar pelas temperaturas dos últimos meses). Calças pela primeira vez desde que chegámos, sapatilhas, camisola polar, casaco quente, tudo o que não usávamos há uns meses valentes tivemos de vestir só para esta subida ao Bromo. O guia falou em 5 graus, o que era bem capaz de ser a temperatura que se fazia sentir.

Ainda era noite cerrada quando o jipe nos deixou quando no cimo do monte, mas havia ainda uma caminhada para chegar ao spot certo para ver o nascer do sol, sempre a subir. Pelo caminho, os locais oferecem boleia nos cavalos a troco de rupias mas nós achámos por bem continuar o caminho a pé.  Já no local certo aguardámos pelo nascer do sol, no meio de uma ventania gélida e com o dente a tremer de frio. Já não sentia tanto frio há tanto tempo que mais parecia estar zero graus. O sol nasceu finalmente, acarinhado pela ventania que se fazia sentir e, apesar de não ter sido um nascer do sol esplêndido por causa da quantidade de nuvens no céu, um nascer do sol sol dá sempre aquela sensação de renovação, é o começo de um novo dia. No monte há senhoras a vender chá quentinho e comida, para aquecer os turistas. Àquela hora ainda não tínhamos tomado o pequeno almoço, ainda assim, fome era coisa que não abundava.

Voltámos a descer para o jipe, agora em pleno dia, e pudemos apreciar a paisagem à volta agora cheia de luz, e seguimos para o vulcão. O vulcão fica no meio de um vale enorme onde ainda estão bem presentes as marcas da erupção passada que se manteve por 6 longos meses, de Novembro a Abril de 2011.

O vento trazia com ele a cinza vulcânica e, além do lenço à volta da cabeça, vi-me obrigada a colocar a máscara na subida para o vulcão. Foi uma valente caminhada, sempre a subir a pique, quando chegámos, no meio de uma tempestade de cinza vulcânica, a única coisa que víamos era a caldeira do vulcão com muito fumo e um intenso cheiro a enxofre. O local era estreito e sem protecções, com aquela ventania não sei como não se dão ali mais acidentes, se alguém escorrega para a caldeira não tem qualquer hipótese de sobrevivência. No local de onde podíamos espreitar a caldeira do vulcão não cabiam duas pessoas a cruzar uma com a outra. Nas palavras de um dos nossos aventureiros: “este foi provavelmente o sítio mais perigoso onde já estive!”.

 

 


Voltámos ao hotel, que agora parecia incrivelmente perto, para tomar o pequeno almoço e seguir viagem. Às 8 horas da manhã já íamos a caminho de Jogjakarta.

A viagem do Monte Bromo para Jogjakarta é enorme, nem sei bem quantos quilómetros são, mas eu apontava para uns 400km. Fizemos a viagem numa carrinha de 9 lugares, nós os 5 só com o motorista que “arranhava” alguma coisa de inglês mas não muito.

A viagem teve início às 8h e só voltámos a parar cerca de 5h depois para almoçar. A experiência do trânsito na Indonésia é qualquer coisa de surreal. É preciso ter mesmo muita concentração para se conduzir neste trânsito absolutamente infernal. As regras da estrada são iguais às dos outros sítios no mundo, a diferença é que na Indonésia as regras não são respeitadas. O motorista seguiu grande parte da viagem com o pé assente no fundo do acelerador (duvido que a “furgonete” andasse mais). As estradas são como as nossas há 60 anos, com muitos buracos, estreitas, sem marcações, ainda assim o nosso motorista seguiu sempre no máximo de velocidade que conseguia. Outra particularidade deste trânsito é que, apesar de se conduzir do lado esquerdo, ultrapassa-se tanto do lado direito como do lado esquerdo, é onde houver espaço, se vier alguém de frente, logo se vê. As motas são outra peça fundamental deste cenário rodoviário indonésio (em particular do trânsito javanês), estão em todo o lado na estrada, passam por qualquer buraco, em qualquer fresta, entre carros, na berma, às vezes até por cima dos passeios quando não têm outra forma de passar à frente dos carros.

Uma das principais diferenças entre o trânsito na Indonésia e o trânsito no ocidente é que na Indonésia os motoristas vão em modo de concentração extrema e por isso não vimos muitos acidentes, ao contrário do que seria de esperar. Alturas houve em que o nosso motorista ia a ultrapassar uma fila de camiões e de frente vinham mais uns quantos e nós, sempre com os olhos esbugalhados e incrédulos a pensar “já fomos”. Por várias vezes pensámos que se ia dar um acidente mas acabávamos sempre por caber todos na estrada com o apoio da berma, fosse no último segundo uma mudança para a nossa faixa, ou passámos 3 a par, ou uma scooter que saía da estrada para cabermos todos.

Dez horas de viagem transformaram-se numa aventura alucinante ao bom estilo de Velocidade Furiosa.

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